As principais dificuldades das Startups de hardware

June 26, 2017

Levar uma startup ao sucesso é uma empreitada difícil. Os desafios relacionados a risco e dinheiro são duas constantes em toda a trajetória dessas empresas e, para as startups de hardware, os riscos são ainda maiores. Decisões equivocadas e erros podem provocar retrocessos, e os riscos são ainda maiores.

 

 

 

   O dinheiro é importante, mas há outros aspectos que podem afetar diretamente a capacidade de obter financiamento. Há uma receita infalível para o sucesso? Infelizmente não, mas há questões importantes que requerem a atenção de quem está pensando em abrir uma empresa de hardware ou está dando os primeiros passos no mundo corporativo, e conhecê-las previamente pode aumentar as suas chances de sucesso. Algumas dessas questões importantes:

  • obter financiamento de diferentes fontes;

  • trabalhar com incubadoras e aceleradoras para obter benefícios tangíveis;

  • proteger a propriedade intelectual (PI);

  • fazer testes em campo para se aproximar do cliente;

  • saber qual é o melhor tipo de protótipo.

 

   Este texto analisa cada uma dessas questões, além de oferecer orientações úteis que podem ajudar os empresários que estão começando a trabalhar com hardware a trilhar o caminho para o sucesso.

 

 

OBTER FINANCIAMENTO DE DIFERENTES FONTES

 

   Alguns dos maiores desafios para as startups de hardware envolvem a localização de fontes de capital e gestão de fluxo de caixa. Muitas startups iniciam suas atividades de forma autônoma, por meio do autofinanciamento, o que funciona a curto prazo, mas pode gerar muitas dívidas.

 

   Em alguns casos, essas startups surgem como prolongamentos de pesquisas ou projetos realizados no ensino superior. Muitas vezes, as universidades onde essas empresas surgiram fornecem capital para a pesquisa inicial e para manter o projeto por algum tempo. No entanto, bons empreendedores elaboram seus planos de financiamento muito antes de ficar sem dinheiro. Hoje há muitas possibilidades de financiamento, mas os empreendedores precisam conhecer as melhores opções para suas situações específicas, como estágio do ciclo de vida da empresa, tipo de produto, disposição em ceder parte da empresa em troca de capital etc.

 

   O financiamento pode vir de várias fontes e dependerá do estágio da sua empresa. Muitas startups de hardware de alta tecnologia recorrem às faculdades e universidades para lidar com os desafios relacionados à inovação e para participar de competições nas quais podem ganhar prêmios.

 

   Muitas empresas de hardware de alta tecnologia também podem contar com subsídios do governo, os quais oferecem incentivos para ajudar jovens a crescer e para manter os negócios dessas empresas em seus estados, pois são vistas como meios de desenvolver a força de trabalho. O processo de candidatura a incentivos governamentais é demorado e pode consumir muitos recursos, principalmente o seu tempo e o tempo da sua equipe de desenvolvimento.

 

 

 

   O crowdfunding é outra forma de financiamento que ganhou força nos últimos anos. As empresas on-line de crowdfunding, como a Kickstarter e a Indiegogo, oferecem plataformas para empresas que buscam capital e doações através da divulgação de seu trabalho para a comunidade. Basicamente, as empresas podem acumular centenas ou milhares de dólares, com pequenas doações que podem contribuir para a composição de um capital de milhões de dólares, e essa prática pode se mostrar mais simples do que conquistar um ou dois investidores anjos. Ao mesmo tempo, o crowdfunding permite que os fundadores das startups tenham mais controle acionário e mais controle sobre o patrimônio da empresa. Muitas empresas escolhem essa trajetória logo no início, quando precisam provar a demanda do mercado para os investidores anjos ou para os capitalistas de risco (VCs, Venture Capitalists).

 

   Outro aspecto interessante da captação de recursos para hardware é que, muitas vezes, é necessário apresentar um protótipo para demonstrações. Em muitos casos, especialmente quando há relação com a alta tecnologia e tecnologias usáveis, os investidores querem conhecer a aparência e o funcionamento antes de investir. Os empreendedores voltados a essa área e que desenvolvem protótipos funcionais logo no início de sua trajetória podem aproveitar muitos benefícios. Sem esses protótipos, que muitas vezes são resultado do feedback dos doadores do crowdfunding, pode ser difícil levantar os fundos necessários.

 

 

TRABALHAR COM INCUBADORAS E ACELERADORAS PARA OBTER BENEFÍCIOS TANGÍVEIS

 

   O financiamento desempenha um papel importante no sucesso e no desenvolvimento das startups de alta tecnologia, mas outro fator pode influenciar fortemente a trajetória de uma empresa: a participação em programas de incubadoras e aceleração tecnológica. As incubadoras de startups e as aceleradoras ajudam os empreendedores na jornada para se tornarem empresas de sucesso, mas cada uma a seu modo. Uma das características que mais diferencia as aceleradoras das incubadoras é o tempo. As aceleradoras trabalham com as startups por um período breve e específico, que geralmente tem duração de três a quatro meses. Elas oferecem, em geral, uma quantia específica de capital semente às startups. Em troca de capital e orientação, as aceleradoras geralmente reivindicam de 3 a 8% de participação nas empresas e ajudam as startups a descobrir, no menor prazo possível, se há uma oportunidade comercial para elas. Para as startups de hardware, isso significa desenvolver protótipos reais o mais rápido possível.

 

   Já as incubadoras se concentram mais no crescimento e oferecem mentoring prolongado, muitas vezes por mais de um ano e meio. A meta de algumas incubadoras pode ser preparar a sua empresa para programas de aceleradoras. As incubadoras reivindicam pouca ou nenhuma participação na sua empresa, o que é possível porque elas não fornecem investimento de capital como as aceleradoras. Muitas incubadoras são financiadas por incentivos de instituições superiores e, assim, fornecem atendimento sem precisar se apropriar de parte da sua empresa.

 

  As startups de hardware também enfrentam o desafio do acesso aos recursos de fabricação. Na maioria dos casos, esses recursos apresentam altos custos e, felizmente, é comum as aceleradoras permitirem que os empreendedores selecionados para seus programas acessem seus recursos de fabricação. A disponibilização de recursos pode ir desde o uso de impressoras 3D para a criação de protótipos até o acesso a instalações de produção em larga escala no exterior. Os empresários aprendem a dimensionar a produção e descobrem a importância dessa característica para os negócios. Como muitos deles são engenheiros ou gestores com pouca ou nenhuma experiência em fabricação, essa opção é um recurso inestimável durante o desenvolvimento da empresa.

 

 

PROTEGER A PROPRIEDADE INTELECTUAL

 

   No mundo do hardware, as patentes criam uma vantagem que ajuda a sustentar as empresas de tecnologia. Proteger seus projetos e suas tecnologias originais ajuda a criar uma barreira contra a concorrência e também pode fortalecer pequenas empresas em parcerias com empresas maiores ou ajudá-las a obter êxito em aquisições. Quanto mais consolidado o seu portfólio de patentes, mais valioso a pequena empresa se torna.

 

  Há diversos tipos de propriedade intelectual. Na sua forma mais simples, os empreendedores veem a PI como o desenvolvimento de projetos e tecnologia. No entanto, é possível expandir esse conceito para incluir funcionários, parceiros, fornecedores e prestadores de serviços. Todos esses elementos de capital humano contribuem para a criação de PI. Além disso, as ideias e os contratos de executivos que ingressam no processo devem ser bem elaborados para proteger todos os aspectos que podem vir a se tornar problemas mais tarde. Por isso, a criação e o uso da documentação adequada podem fazer uma enorme diferença com o tempo.

 

 

 

   Muitos empreendedores que desenvolvem produtos que combinam hardware e software muitas vezes seguem um caminho intermediário. Eles protegem a tecnologia de hardware com patentes, mas consideram o software embarcado um "segredo comercial". Porém, a solicitação de patentes resulta na divulgação de métodos e tecnologias. De acordo com Chris Goodine da Thalmic Labs: "Faz sentido em algumas situações, como no caso de alguns algoritmos e de programas que rodam no Myo. Não precisamos patentear esses componentes porque ninguém tem acesso a eles, ou seja, não é necessário divulgar nas patentes como fazemos isso. Pode ser interessante não depositar uma patente algumas criações."

 

 

FAZER TESTES EM CAMPO PARA SE APROXIMAR DO CLIENTE

 

   As startups de hardware têm um desafio interessante. Diferentemente de empresas de software, elas precisam ter acesso a instalações de fabricação para criar protótipos físicos, além de precisar de uma quantidade suficiente de unidades disponíveis para testes em campo logo no início de sua atuação.

 

   Hoje, o sucesso ou fracasso de uma empresa que aposta seu futuro em um único produto depende da capacidade em chamar a atenção do mercado, o que significa fornecer unidades de teste para obter avaliações e feedback de possíveis clientes. A criação de unidades de produção "minimamente viáveis" que possam ser testadas assim que possível permite fazer alterações ao projeto com mais facilidade, além de possibilitar o aprimoramento do produto no longo prazo. Os testes em campo podem ser feitos por meio de estratégias de pré-vendas ou da pré-produção de unidades de demonstração. É essencial "construir, avaliar e aprender". Em outras palavras, construa algumas unidades de teste, disponibilize-as para avaliação e teste as possibilidades. Se for necessário fazer alguma alteração, volte à fase de engenharia do produto. Repita esse ciclo quantas vezes precisar, e com rapidez.

 

   Durante os processos de testes em campo, as organizações que estão dando os primeiros passos geralmente fazem muitas alterações nos projetos. Como essas startups geralmente têm orçamentos enxutos, é necessário descobrir como fazer as alterações no projeto e criar novas versões do produto com mais eficiência. Diversas empresas usam software de desenhos 3D, como o SOLIDWORKS®, para fazer alterações aos projetos com rapidez e facilitar e agilizar a devolução do projeto para produzir mais unidades de teste. Elas também podem criar protótipos eletrônicos 3D e, assim, obter aprovações para as alterações ao projeto, tudo isso com mais rapidez. Outra vantagem é a disponibilização de ilustrações de todo o produto para as partes interessadas, o que ajuda nas vendas.

 

 

QUAL É O MELHOR TIPO DE PROTÓTIPO?

 

   Além de testes em campo, a possibilidade de projetar e criar protótipos com rapidez e eficiência pode ser um fator essencial para o sucesso de muitas startups de tecnologia de hardware. Em muitos casos, o capital adicional (seja na forma de premiações em dinheiro, financiamento de investidores anjos ou financiamento de VCs) articula a capacidade da empresa de criar protótipos funcionais logo no início do processo. Isso é válido principalmente no caso de produtos de alta tecnologia, como artigos usáveis e componentes de robótica.

 

 

 

   A criação de protótipos físicos pode apresentar custos altos, e as startups que estão tentando economizar podem precisar criar diversas versões do produto nos estágios iniciais do processo. Por exemplo, os artigos usáveis que incorporam componentes de hardware e software requerem mais protótipos físicos do que outros produtos.

 

   Alguns desses artigos, são considerados equipamentos de segurança e devem ser certificados para atender aos padrões de segurança estabelecidos pelo governo. Porém, em muitos casos, algumas circunstâncias requerem protótipos físicos, mas muitas empresas de hardware podem usar protótipos 3D visuais com mais eficiência para fazer testes de estresse em peças e sistemas por meio de simulações.

 

   Isso permite fazer testes baratos antes de enviar as peças à fábrica para a produção, o que evita o problema de elas não funcionarem corretamente quando houver as cargas inerentes ao processo. Esses erros podem gerar altos custos para todas as empresas, mas são ainda maiores para as startups que não têm folga de capital. Muitas startups de hardware usam ferramentas de análise computacionais, como as soluções SOLIDWORKS Simulation, para fazer testes de baixo custo e comprovar a utilidade de seus projetos.

 

 

CONCLUSÃO

 

   Começar uma empresa de hardware é uma tarefa intimidante, e os empreendedores passam por uma série de dificuldades. Eles precisam identificar e capturar o tipo de financiamento mais adequado, decidir quais propriedades intelectuais desejam proteger e concretizar, verificar se seria útil trabalhar com uma incubadora ou aceleradora e qual opção é a mais ideal, buscar orientação de mentores experientes que podem orientar o crescimento e desenvolvimento de suas jovens organizações, ingressar em comunidades compostas por pessoas que têm as mesmas ideias e paixões e projetar protótipos físicos e/ou simulados e criá-los rapidamente para obter feedbacks reais de possíveis clientes reais.

   

   A jornada pode ser solitária e repleta de momentos de incerteza. Saber como outros empreendedores lidaram com essas dificuldades pode aumentar as suas chances de sucesso. Como todos sabemos, não há um caminho certo para chegar ao sucesso, mas a trajetória pode ser mais tranquila se você conhecer todas as opções disponíveis e puder aprender com a experiência de outras pessoas.

 

 

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Texto extraído do documento "As dificuldades das Startups de hardware. Perspectivas de empresários de hardware bem-sucedidos. Documento técnico", desenvolvido pela Dassault Systemes SolidWorks e disponibilizado para os VARs da SolidWorks.

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